"Falar com 'Deus' é oração (?!); já ouvi-lo responder... é esquizofrenia."

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Dando sinal de vida

O blog anda meio parado, tenho de reconhecer. É reflexo de minha existência, que nem tenho podido chamar de vida...
Mas espero, em breve, sair desta pasmaceira e voltar a escrever. E pretendo criar um outro blog, que penso chamar de "filosofia pública e popular". Vamos ver. Até breve, tomara.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

(Auto-)declaração (não-narcisista) de amor (ou "reconhecimento da provisoriedade das próprias convicções")

APENAS MAIS UMA DE AMOR (Lulu Santos)


Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer 
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer (eu vou sobreviver!)
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O RETORNO DO MAIA INTERGALÁCTICO (LULU SANTOS)

Especialmente para o meu amigo Antonio de Jesus


Navegam em naves movidas à pura vontade 
E têm poderes realmente impressionantes
Não necessitam dar demonstrações disso
E nesse momento não seria interessante
Querem saber se a raça humana
Sabe dar o passo para evoluir
Ou se é pré-programada pra se destruir
Nossa sobrevivência deles depende nesse instante
De alguma escolha cósmica que talvez venham a fazer
Entre este e outro planeta habitado mais distante
Por motivos que nunca conheceremos
Querem saber se a raça humana
Sabe dar o passo para evoluir
Ou se é pré-programada pra se destruir
O retorno do maia intergaláctico
Detonando de vez
O império de Cortez
O retorno do maia intergaláctico
Deletando de vez
Os arquivos de Pizarro e Cortez
Algumas pessoas os tomam por anjos
E pensam que zelam por sua boa vontade
O que é uma forma de covardia
E de fugir a própria responsabilidade


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Meandros em paradoxo (soneto)

Handall Fabrício Martins

Nas entranhas secretas de minh'alma
se escondem muitos anjos e demônios;
O árbitro desse embate não acalma
o conflito entre mim e meus neurônios.

Artimanhas excretas dessa fauna
respondem com arranjos inidôneos;
O hábito só me abate e me desalma...
...e o detrito é o fim de atos errôneos,

Será que haverá vida após a sorte
que me foi destinada entre os mortais?
Será que haverá lida antes da morte

que me foi preparada entre os demais?
Ou já me será tida por consorte
a que foi tolerada tanto mais?

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Bruxuleante (soneto)

Handall Fabrício Martins

Vai, numa saga insana atrás de si.
Cair, levantar - essa é a sua sina.
Sai. Uma praga dana, jaz e ri.
Banir, debandar - pressa que o arruína.

Ah! Sua chaga engana o que passa ali!
Sorrir? Chorar? Meça o que o desatina!
Sempre apaga a chama que o faz luzir;
a alegria cessa... do pranto a mina.

Chegará ao fim tal intermitência?
Resistirá a tanto sofrimento?
Viverá para ver sua descendência?

(...)

Algumas coisas lhe servem de alento:
a crença no dia da independência
e a esperança no fim do seu lamento.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sobre uma resposta ao facebook


O facebook me pergunta no que estou pensando e resolvo responder.

É o seguinte: sofrimento e dor são coisas muito particulares e subjetivas. São categorias não passíveis de medição nem de comparação. Ou seja, não dá pra dizer que "fulano sofreu mais que beltrano". Ou "o sofrimento de cicrano é tanto e mesmo assim ele não desiste". Gente, a maneira como cada um experiencia a dor e o sofrimento - a alegria e a felicidade também - e a intensidade com que cada pessoa individual experimenta essas sensações são aspectos tão subjetivos, tão individuais, tão íntimos, tão particulares, tão incomparáveis que me sinto até redundante escrevendo isso. Quando se fala de problema, então, aí é que a coisa fica evidente e mais crítica também. "Fulaninho não tem problema nenhum, tem tudo pra ser feliz e fica aí, amuado". De novo: gente, uma dificuldade que pra um alguém pode ser insignificante, algo que esse alguém vença "com os pés nas costas", como dizem, pode ser algo intransponível para um outro alguém. Vamos, então, de uma vez por todas, parar de ficar comparando os problemas dos outros e, assim, julgando todo mundo, ok? Vamos também parar com essa história de que o nosso problema é sempre pior do que o dos outros. Quando vemos alguém com uma doença terminal, por exemplo, ou que perdeu toda a família numa tragédia, temos a sensação de que nem temos problema. Mas depois a ficha cai de novo e nos deparamos com as NOSSAS questões, que são diferentes das dos outros porque são NOSSAS. Vamos parar de autocomiseração, autopiedade, autovitimização, parar com esse negócio de achar que o universo todo conspira contra a gente, que somos vítimas da vida. Vamos parar de fazer papel de coitadinhos, e vamos assumir as NOSSAS dores e os NOSSOS problemas, que não são maiores nem menores do que os dos outros, são apenas NOSSOS, e seguir a vida, um passo de cada vez. Sem julgar ninguém, pois só conseguimos medir os outros com a nossa medida, e a NOSSA medida só serve pra NÓS MESMOS. Vamos, também, parar de fazer pouco caso dos dramas dos outros, pois não dá pra medir o outro por nós. Cada um tem suas peculiaridades, suas idiossincrasias, fruto da biografia de cada um, bem como da carga genética que recebeu. Enfim, pessoal, vamos ser mais compreensivos, mais sensíveis, mais empáticos, mais solidários, mais altruístas, MAIS HUMANOS! É disso que nossa sociedade precisa, de pessoas assim! Então, você topa o desafio? Vem comigo? Então, VAMOS!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempestade interior (soneto)

Handall Fabrício Martins

Possesso de demônios amiúde, 
há tempos, de sofrer, minh'alma clama;
excesso de neurônios é o que pude,
de alentos de viver, ter nesse drama.

De tanto chorar, pranto fez-se açude;
compasso retilíneo, a dor me chama.
Mas, quanto pesar à esperança ilude...
Excesso de fascínio, o corpo inflama.

(...)

Contra toda corrente, insiste, rema;
ao sabor das ondas, desiste - coma.
(...) Novo estigma se levanta: emblema!

(...)

'Inda mais doente, resiste, toma
a decisão de curar seu edema...
... mas, impossível (?). Terrível redoma!